terça-feira, 23 de novembro de 2010

Um outro junho, talvez

Como costumes são mantidos e se perdem as inovações, ele deitava toda manhã na grama baixa do quintal da obra, era pedreiro o Sebastião, veias de cimento e marcas de contruções aderiram em seu corpo, rígido.
O sol ardia suavemente por cima de um boné velho que lhe cobria os olhos, um azul desbotado se encaixando com a pele cor de terra, barro vermelho. Lá deitado e com a mente reduzida em Deus, cantava suas orações, cantigas bonitas e alguma melodia assobiada, toda manhã de todo ano, todo março, onze mêses, luto.
Sim, junho não contava, junho não cantava junt'ele, nesse mês, ano passado, sua bicicleta deixara de andar, a corrente estronchou, o pedal caiu, era inconsertável.
Inconserto também adquiriu seu sentimentalismo atrofiado, afinal, a quem amaria um pedreido, um rudimentar, amava sua bicicleta, dedicava-a horas naquele quintal de obra, envernizando, cuidando.
E por tal lapso temporal, Sebsatião desrregulou-se em horários, não sabia onde ou quando estava, se estava, apenas vai àquela obra deitar na grama esverdeada, obra na qual não trabalha e da qual é expulso toda manhã, ele vive de julho a maio, somente, vive ou viveu, nesse playback contínuo não sabe-se tal, acho mais que repete.

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