terça-feira, 19 de outubro de 2010

Fragmentos

Derrepente a mesa estava marcada, muitas xícaras de café passaram alí, cada uma formando seu próprio círculo, um fim, um meio e inúmeros começos.
O cinzeiro também acumulara quilos de cinzas, quimeradas lágrimas evaporadas, espalhadas em um recipiente inopaco, transparecendo toda a mágua de uma vida.
E meus pelos eriçados à percepção de que fui guardando esses e muit'outros venenos, esculpindo-os no vaso que sou, durante dezoito anos de sobrevivência e quase-morte, anos do vazio que sobreviveu em meu interior inerte.

sábado, 16 de outubro de 2010

Uma dose

Há de ser de doença, esse definho do sentimentalismo, ninguém se apega, ou ao menos tenta se apegar, escolhem uma tradução exata do egoísmo para seguir, e a cada um que conheço me parece tão mais belo o cancro que a possibilidade. Ser extremo cansa, procurar um esforço inexistente para dele exalir uma tolerância ínfima ao que me desagrada, aos mínimos que recebi como barganha por me expor tanto, e eu não sou capaz de copreender esses cascos, distribuindo coices e distanciamentos, qual o sentido desse asco por abraços, da ojeriza por sinceridade, como se se demonstrar um romantismo fosse a pior das epidemias, e nem sei se epidemia é nome pr'isso, já que de modo algum contamina outras pessoas.