Parecia, para ela, até errôneo, dessa vez o contrário da normalidade acontecia, ela é que estava deitada em baixo da cama, se escondendo da própria raiva, era como se a cama estivesse deitada por sobre a garota, protegendo-a de qualquer mágoa maior. Sentia-se inutilmente apertada e segura, suas mãos arranhavam a madeira na parte de baixo do colchão, estava há horas ali, desperdiçando unha e sangue em troca de um possível retorno à sanidade. Algo realmente havia mudado, seus olhos suportavam enormes olheiras refletindo uma alma a muito cansada, incapaz de continuar, beirando o silêncio e a conformidade.
O descontrole emanado, a luta contra a própria sombra, o sentido escuso e cego da coroa perdida, é, não era mais rainha no coração de ninguém, nem no dela. Estava desgovernada, seu mundo perfeito entrara em queda, a tão forte e inabalável, derrubada por palavras de ofensa, quem diria? Da boca mil vezes ignorada, "Enfie esse andaime e essa belia no cu! Nunca e não mais, morto fotografado, só...”.
Para ela não estava tão morto assim, era de tal forma um calço, um chão seguro para se apoiar, aquele passado servia para deixá-la forte, sem ele a garota andava aos tropeços, sem direção ou sentido, enchendo-se de egoísmos, agora, encurtava-se cada vez mais, sangrando baixinho, esquecida.
domingo, 30 de maio de 2010
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