É o que acaba sendo nossa ida, o controverso do tudo que a gente deseja e anceia por, a percepção de que toda mágua é vã e que o amor só é importante para quem ama. Andar fora de tantos padrões é simplesmente escolher um padrão diferente que se encaixa com tantos outros. Ser sentido, ouvido, marcado, dar ao alheio a força para te arrancar do cômodo e te mostrar que o mundo pode sim ser mais que uma parede fria, ou mostrar que ele se resume mesmo e somente a uma parede fria.
Sempre olhar para trás, imaginando que o futuro poderá ser tão bom quanto fora um dia.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
sábado, 16 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
O cataclisma de um nada é relativo ao tudo que o originou e qualquer alarde se faz necessário à percepção que periga à surdês, periga à cegueira, periga à vida em um mar de pessoas falantes, mas que não escutam ou enxergam, nem conversam entre sí, há definição de ignorância, há definição do que se relaciona.
Essa fortaleza inútil.
A asfixia de perder, isso, exatamente da posse eu falo, de tê-la como objeto, meu somente, controlar sua vida, vigiar seus passos, proibir, interfirir e que há de feio nisso? Se me importa tua dor e tua alegria, já que adoto todas as portas de transparência e te dou minha onisciência, por que se escondes? Há de ser por falta de confiança, há de ser por bobagem, mas constrói esse muro qual não há rachaduras, hei de fazê-las um dia, hei de roêr-te enfim, transformando tua dor em minha calma, tua alegria em meu tormento e o casamento de nossos devaneios em cadeiras vazias que nós dois poderemos ocupar, felizes ou não, mas juntos.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Um outro junho, talvez
Como costumes são mantidos e se perdem as inovações, ele deitava toda manhã na grama baixa do quintal da obra, era pedreiro o Sebastião, veias de cimento e marcas de contruções aderiram em seu corpo, rígido.
O sol ardia suavemente por cima de um boné velho que lhe cobria os olhos, um azul desbotado se encaixando com a pele cor de terra, barro vermelho. Lá deitado e com a mente reduzida em Deus, cantava suas orações, cantigas bonitas e alguma melodia assobiada, toda manhã de todo ano, todo março, onze mêses, luto.
Sim, junho não contava, junho não cantava junt'ele, nesse mês, ano passado, sua bicicleta deixara de andar, a corrente estronchou, o pedal caiu, era inconsertável.
Inconserto também adquiriu seu sentimentalismo atrofiado, afinal, a quem amaria um pedreido, um rudimentar, amava sua bicicleta, dedicava-a horas naquele quintal de obra, envernizando, cuidando.
E por tal lapso temporal, Sebsatião desrregulou-se em horários, não sabia onde ou quando estava, se estava, apenas vai àquela obra deitar na grama esverdeada, obra na qual não trabalha e da qual é expulso toda manhã, ele vive de julho a maio, somente, vive ou viveu, nesse playback contínuo não sabe-se tal, acho mais que repete.
O sol ardia suavemente por cima de um boné velho que lhe cobria os olhos, um azul desbotado se encaixando com a pele cor de terra, barro vermelho. Lá deitado e com a mente reduzida em Deus, cantava suas orações, cantigas bonitas e alguma melodia assobiada, toda manhã de todo ano, todo março, onze mêses, luto.
Sim, junho não contava, junho não cantava junt'ele, nesse mês, ano passado, sua bicicleta deixara de andar, a corrente estronchou, o pedal caiu, era inconsertável.
Inconserto também adquiriu seu sentimentalismo atrofiado, afinal, a quem amaria um pedreido, um rudimentar, amava sua bicicleta, dedicava-a horas naquele quintal de obra, envernizando, cuidando.
E por tal lapso temporal, Sebsatião desrregulou-se em horários, não sabia onde ou quando estava, se estava, apenas vai àquela obra deitar na grama esverdeada, obra na qual não trabalha e da qual é expulso toda manhã, ele vive de julho a maio, somente, vive ou viveu, nesse playback contínuo não sabe-se tal, acho mais que repete.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Fragmentos
Derrepente a mesa estava marcada, muitas xícaras de café passaram alí, cada uma formando seu próprio círculo, um fim, um meio e inúmeros começos.
O cinzeiro também acumulara quilos de cinzas, quimeradas lágrimas evaporadas, espalhadas em um recipiente inopaco, transparecendo toda a mágua de uma vida.
E meus pelos eriçados à percepção de que fui guardando esses e muit'outros venenos, esculpindo-os no vaso que sou, durante dezoito anos de sobrevivência e quase-morte, anos do vazio que sobreviveu em meu interior inerte.
O cinzeiro também acumulara quilos de cinzas, quimeradas lágrimas evaporadas, espalhadas em um recipiente inopaco, transparecendo toda a mágua de uma vida.
E meus pelos eriçados à percepção de que fui guardando esses e muit'outros venenos, esculpindo-os no vaso que sou, durante dezoito anos de sobrevivência e quase-morte, anos do vazio que sobreviveu em meu interior inerte.
sábado, 16 de outubro de 2010
Uma dose
Há de ser de doença, esse definho do sentimentalismo, ninguém se apega, ou ao menos tenta se apegar, escolhem uma tradução exata do egoísmo para seguir, e a cada um que conheço me parece tão mais belo o cancro que a possibilidade. Ser extremo cansa, procurar um esforço inexistente para dele exalir uma tolerância ínfima ao que me desagrada, aos mínimos que recebi como barganha por me expor tanto, e eu não sou capaz de copreender esses cascos, distribuindo coices e distanciamentos, qual o sentido desse asco por abraços, da ojeriza por sinceridade, como se se demonstrar um romantismo fosse a pior das epidemias, e nem sei se epidemia é nome pr'isso, já que de modo algum contamina outras pessoas.
Assinar:
Postagens (Atom)