Ultimamente eu venho me encaixando, estou ligeiramente satisfeito. Não quero de modo algum estar realizado ou contente, mas parece fácil sentar e observar o comportamento das pessoas evoluir por si. É simples, se se para de seguir uma ideologia de exclamação e adquire a posição de uma vírgula, o ser escolhe tornar-se uma pausa sóbria de análise em contraste com a antiga forma de interrupção e ordem.
A vírgula representa uma indiferença à conclusão, no texto, um observador passivo que vez outra encerra meio raciocínio pondo-se a separar de maneira calma e reflexiva, dois fragmentos de sapiência. Se você se encontra como intermediário entre a finalidade e o meio, está ciente dos dois, e terá como estudá-los.
O ponto de exclamação é tosco e se posta no término do texto, trogloditando o imperativo e expressando-se de forma cega. Não tem uma visão complexa do período anteposto e resume-se à um breve momento de existência e raiva.
Suponho, então, que devemos tornarmo-nos vírgulas, e consequentemente transcendentais, estando presentes de forma sutil no texto que reconhecemos como sobrevida, assim, se acordarmos com vontades exclamativas, seremos de novo irracionais, gritaremos à vontade e devemos morrer pós isso, trajados de indigentes à capacidade mental.
domingo, 19 de setembro de 2010
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Impressão
Uma pequena fixação por importância, gestos simples que demonstram insegurança, arte e talvez demasiada carência, faziam Ana distanciar-se das grades da janela. Essa fobia, qual não outra, enterrava no silêncio de seu quarto a percepção surda de uma coragem atrofiada.
Trauma pouco cerrou a beleza de Ana em antigos retratos felizes, amigos, família, namorado, tudo findava continuamente em uma vasilha de uvas e qualquer livro ruim.
Arrastava horas de sono e cafeina, estando sempre alerta demais ou dormindo, os maiores extremos de sua vida complicada e de seu enorme mundo, uma sala, dois quartos, dois banheiros e uma cozinha.
Uma maior excitação marcou o dia em que perdera a guerra, recebeu um envelope amarelo, estranhou e o abriu com rapidez, uma carta descrevendo carinho e respeito, palavras esquecidas por ela a muito. Quando terminou de ler estava apaixonada, não pela pessoa que havia escrito ou pela Susana do andar de baixo, a quem a carta havia sido endereçada, Ana estava apaixonada pelo papel em si, pelo cheiro da tinta e pela rigidez do risco. Dia pós dia deitou-se ao lado da folha amassada, sorrindo e ludibriando-se nesse momento estranho que trazia um certo desconforto e a deixava feliz.
Semanas passaram rápido e Ana já não se alimentava direito, estava magra e louca, percebeu que o papel começava a desfazer-se e como uma amante desesperada correu de um lado à outro do apartamento procurando uma solução, no ápice de sua insanidade, pegou a folha e enfiou goela abaixo, morrera sufocada.
Trauma pouco cerrou a beleza de Ana em antigos retratos felizes, amigos, família, namorado, tudo findava continuamente em uma vasilha de uvas e qualquer livro ruim.
Arrastava horas de sono e cafeina, estando sempre alerta demais ou dormindo, os maiores extremos de sua vida complicada e de seu enorme mundo, uma sala, dois quartos, dois banheiros e uma cozinha.
Uma maior excitação marcou o dia em que perdera a guerra, recebeu um envelope amarelo, estranhou e o abriu com rapidez, uma carta descrevendo carinho e respeito, palavras esquecidas por ela a muito. Quando terminou de ler estava apaixonada, não pela pessoa que havia escrito ou pela Susana do andar de baixo, a quem a carta havia sido endereçada, Ana estava apaixonada pelo papel em si, pelo cheiro da tinta e pela rigidez do risco. Dia pós dia deitou-se ao lado da folha amassada, sorrindo e ludibriando-se nesse momento estranho que trazia um certo desconforto e a deixava feliz.
Semanas passaram rápido e Ana já não se alimentava direito, estava magra e louca, percebeu que o papel começava a desfazer-se e como uma amante desesperada correu de um lado à outro do apartamento procurando uma solução, no ápice de sua insanidade, pegou a folha e enfiou goela abaixo, morrera sufocada.
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