Parecia, para ela, até errôneo, dessa vez o contrário da normalidade acontecia, ela é que estava deitada em baixo da cama, se escondendo da própria raiva, era como se a cama estivesse deitada por sobre a garota, protegendo-a de qualquer mágoa maior. Sentia-se inutilmente apertada e segura, suas mãos arranhavam a madeira na parte de baixo do colchão, estava há horas ali, desperdiçando unha e sangue em troca de um possível retorno à sanidade. Algo realmente havia mudado, seus olhos suportavam enormes olheiras refletindo uma alma a muito cansada, incapaz de continuar, beirando o silêncio e a conformidade.
O descontrole emanado, a luta contra a própria sombra, o sentido escuso e cego da coroa perdida, é, não era mais rainha no coração de ninguém, nem no dela. Estava desgovernada, seu mundo perfeito entrara em queda, a tão forte e inabalável, derrubada por palavras de ofensa, quem diria? Da boca mil vezes ignorada, "Enfie esse andaime e essa belia no cu! Nunca e não mais, morto fotografado, só...”.
Para ela não estava tão morto assim, era de tal forma um calço, um chão seguro para se apoiar, aquele passado servia para deixá-la forte, sem ele a garota andava aos tropeços, sem direção ou sentido, enchendo-se de egoísmos, agora, encurtava-se cada vez mais, sangrando baixinho, esquecida.
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Talvez, ela seja apenas mais uma das diversas personagens que você adora usar em muitos de seus textos, possível que exista, mas enfim.. Uma querida hipótese de um ser inanimado que venha por frutos da vida do outro tal ser que a criou. Seu maior objetivo é querer ser lembrado e amado, mal sabe que pra isso deve-as não apenas sua gratidão, e sim a felicidade com si próprio. Podem dizer até que não presta, mas no fundo ainda há algo que toca a quem queres tocar. Parabéns pelo novo blog. Bgs
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